ABIMEXPORT: aprendendo a inovar para exportar.

Perguntas e Respostas

Como a experiência do Poli.Design pode ser útil ao setor do móvel no Brasil?

De acordo com SILVIA GRILLI, designer e gerente do projeto contratada pela ABIMÓVEL, a produção de móveis no Brasil possui como características a tradição centenária, bom nível tecnológico, disponibilidade e diversidade de matéria-prima, experiência e boa oferta de mão-de-obra.

Porém, a preocupação das empresas em mostrar os próprios processos aos concorrentes do setor reduz fortemente o intercâmbio do conhecimento e da experiência necessária e indispensável para a formação de uma cultura industrial de produtos adequados e investimentos em internacionalização.

A indústria moveleira nacional não conta com exemplos significativos de sucesso internacional, mas existe o forte desejo de que nosso sistema industrial esteja maduro para um salto qualitativo em termos de exportações.

Nesse sentido, o Poli.Design tem a experiência no desenvolvimento de projetos de formação nos quais os participantes adquirem conhecimentos teóricos e práticos visando a construção de uma cultura industrial moderna que é resultado da integração entre a cultura do design, a cultura da empresa e do mercado onde ela atua.

O que é "design estratégico"?

Uma empresa realmente inovadora não fornece somente produtos e sim soluções únicas através da articulação de um sistema complexo que chamamos de sistema-produto, explica FRANCESCO ZURLO, DIRETOR DO POLI.DESIGN.

"Chamamos de design estratégico esse modo de agir que opera sobre todo o conjunto simultaneamente, intervindo na natureza dos produtos, sobre a comunicação que os acompanha e sobre o processo de conquista do cliente final e que por fim configuram a oferta completa. Exportar estratégia e capacidade de fazer.Trata-se, portanto, de colaborar com o desenvolvimento da inovação mais que exportar competências.

Para mim, a Itália não pode responder simplesmente com uma política de exportação dos seus produtos, mas somente desenvolvendo parcerias locais. O que o POLI.design está fazendo fora da Itália, nos países de nova industrialização, é exatamente isso: iniciar um acordo com as realidades locais, empenhar-se para conhecer o território, as especificidades dos mecanismos de consumo locais, os modos de uso dos produtos. Só então será possível projetar novos produtos próprios para mercados específicos."

Quais são os pontos fortes e fracos do setor moveleiro no Brasil?

O setor do móvel no Brasil é caracterizado por um aspecto principal que pode ser visto contemporaneamente como um ponto forte e um ponto fraco do sistema: um rico e forte mercado interno. A presença de um mercado interno rico é um fator importante que permite que a indústria cresça e construa uma base econômica suficiente para enfrentar desafios importantes como a internacionalização. Por outro lado, é muito simples satisfazer o mercado interno e para tanto são suficientes produtos industriais com um nível de qualidade relativamente baixo. O risco é que as empresas se acomodem e que pensem que se possa produzir e exportar para um mercado global com a mesma lógica, a mesma estratégia e os mesmos produtos que colocam no mercado interno.

Qual o primeiro passo para orientar a empresa moveleira brasileira através do design estratégico?

Nós pensamos que o primeiro passo é fazer com que a empresa compreenda que o design estratégico não é uma simples questão técnica que possa ser delegada a um técnico com um papel intermediário na estrutura da empresa. O design estratégico se relaciona com o vértice da empresa de quem depende a sua existência e a sua estratégia, o seu destino e o futuro da sua imagem no mercado mundial. Assim, operar através do design estratégico, significa compreender que o desafio não pode ser relegado a um departamento técnico, mas deve interessar aos quadros mais altos da empresa e envolver a sua mentalidade e sensibilidade empresarial.

Eu creio que o que estamos fazendo e estamos nos preparando para fazer, será muito útil para a empresa de um modo geral, porque uma empresa que inova e aprende a inovar continuamente, terá em mãos uma grande vantagem competitiva. Acreditamos que essa experiência sobre o processo de internacionalização das empresas terá fortes consequências estratégicas em relação ao melhoramento da qualidade dos seus produtos e da sua imagem inclusive no que diz respeito ao mercado interno.


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